quarta-feira, 10 de junho de 2015

QUEM MATOU A ENFERMEIRA?

QUEM MATOU A ENFERMEIRA?

Samuel Castiel Jr.














          As instalações eram antigas, como em todas as Santas Casas deste País. Enfermarias instaladas ou improvisadas em porões, no subsolo. Ambiente úmido, malcheiroso. Ratos furtivos passeavam nas áreas externas ou até mesmo nos corredores. Médicos, enfermeiras,  técnicos, estagiários e Residentes transitavam nesses labirintos parecendo verdadeiros robôs. Com uma prancheta nas mãos, seguido de vários Estagiários e Residentes, o Dr. Estevão seguia parando nos leitos, fazendo a visita médica de rotina e acompanhando a evolução de cada paciente. Fazia anotações, perguntava como os pacientes estavam evoluindo, questionava os estagiários e Residentes sobre essa ou aquela patologia.
__ Residente Saul, este paciente tem um quadro de icterícia. Quais exames laboratoriais que vão  lhe dar indicativos se essa icterícia é obstrutiva ou não?
__ A dosagem das bilirrubinas, TGO e TGP.
__ Muito bem. Vamos em frente.
       E assim, de leito em leito aquela visita matinal prosseguia.
__Dr. Estevão, temos um paciente psiquiátrico, amarrado no leito 13. Porque ele não está na enfermaria de psiquiatria? Ele está agitado e representa um risco a todos nós e aos  demais pacientes.
__É verdade Antônio. Acontece que a enfermaria da psiquiatria como sempre está lotada. E esse paciente não pode esperar. Tem agitação psicomotora, precisa ser contido no leito como você está vendo. Está recebendo uma dose grande de drogas   controladas e mesmo assim,quando cessam os efeitos, ele se agita, fica violento. Tem um diagnóstico de psicose maníaco-depresssiva ( PMD ). Possivelmente uma esquizofrenia herbefrênica  associada. Vamos em frente.
      Aquela enfermaria possuía 50 leitos que eram destinados a Clinica Médica. Dentre os estagiários e Residentes, como sempre, havia os interessados e os desinteressados, aqueles que estão sempre de mal humor, zangados consigo mesmo e com o mundo. Até parece que estão fazendo favor em apreender sôbre a nobre arte de curar. Átila era um desses Residentes desinteressados. Chegou até ao 5º ano aos troncos e barrancos, colando provas e parasitando trabalhos de colegas competentes.
__Átila, este paciente tem suspeita de um tumor cerebral. Diga-me o que faria caso ele tenha uma crise de convulsões reentrantes?
__Dr. Estevão, corro e chamo o médico!...
      Todos os presentes riram muito, menos o Dr. Estevão, é claro.
__Você está sempre tentando fazer uma gracinha! Você já é quase médico e esse comportamento não coaduna com a nossa profissão. Está dispensado da visita de hoje e espero você logo mais no meu gabinete para conversarmos. Vamos em frente.
      O Dr. Estevão mais uma vez repreendeu o Residente Átila, inclusive mostrando-lhe uma reclamação registrada no livro de ocorrência, a qual denunciava o Residente por assédio sexual. Vinha assinada pela enfermeira Clotilde, solteira, de 24 anos, a qual reclamava das atitudes e insinuações do Residente que, segundo ela, vivia cercando a profissional e dirigindo-lhe gracinhas.  Com a mesma atitude irreverente e irresponsável, Átila disse ao Professor:
__Ela se acha, Dr. Só porque tem um rostinho de boneca e um corpinho torneado, pensa que pode sair por aí esnobando todo mundo. Nada disso é verdade! É a palavra dela contra a minha.
     Ermitão era um negro, ainda jovem e musculoso, que tinha passado no concurso da Santa Casa para a função de Serviços Gerais. Limpava a enfermaria, trazia medicação da farmácia para abastecer a enfermaria e, também, passou a ajudar no Anfiteatro, onde os professores de anatomia dissecavam os cadáveres para as aulas práticas. Era um negro calado, de poucas palavras. O Dr. Estevão, algumas vezes já o tinha flagrado olhando fixo para as pernas da enfermeira Clotilde.
         O quadro de enfermeiros da Santa Casa envolvia mais de cem profissionais, pois as escalas eram de 12 horas para cada enfermaria. Os plantões noturnos eram mais calmos, exceto quando havia pacientes agitados.
         No dia que tudo aconteceu, o Dr. Estevão como sempre, chegou bem cedo a Santa Casa, foi direto para seu gabinete preparar-se para mais uma visita de rotina  a enfermaria. Eram 6:45 h quando o telefone tocou. Do outro lado, uma voz de mulher histérica, quase aos gritos, tentava dizer alguma coisa, porém o choro entremeado não deixava claro o que estava acontecendo. Até eu outra mulher, menos histérica e menos nervosa, falou:
__Dr. Estevão, mataram a enfermeira Clotilde aqui na Enfermaria!
__Estou chegando aí agora.
     A cena era horripilante. Numa grande poça de sangue, só de calcinha, a pobre Clotilde estava jogada sobre o chão do sanitário, parcialmente envolta num lençol branco, com seus dois seios mutilados.
     A polícia queria saber tudo sobre a enfermeira assassinada. Seu marido ou parceiro, seus colegas de plantão, seus amigos e amigas, seus hábitos, enfim tudo que pudesse levar ao assassino frio e audacioso que a  exterminou dentro de seu próprio  local de trabalho, sem que ninguém ouvisse ou suspeitasse de nada.
      Nos primeiros interrogatórios, nada de relevância pode ser detectado pelo Delegado. Clotilde vivia com seu parceiro a mais ou menos três anos, aparentemente bem e em equilíbrio emocional. Não tinham filhos por opção. Os colegas da enfermeira estavam em choque, pois todos gostavam muito dela como pessoa e como profissional. Os médicos, estagiários e Residentes também estavam chocados, pois ninguém conseguia entender aquele ato bárbaro, criminoso, com requintes de crueldade. Os dias foram passando e as investigações patinavam nos labirintos das hipóteses e conjecturas abstratas. Todas as pessoas interrogadas tinham-se mostrado inocentes, tinham álibis ou estavam fora do alcance de qualquer dúvida. Na busca do assassino, aventaram-se as hipóteses mais próximas e portanto, algumas delas, mais absurdas. Teria aquele paciente psiquiátrico saído de sua contenção e amarras e surpreendido a pobre Clotilde dentro do sanitário? Nessa hipótese aonde teria ele escondido a faca do crime? E porque os outros enfermos nada teriam ouvido? Seria o Residente Átila, num ataque sexual selvagem o responsável por tamanha barbárie? Ou o Ermitão, que também andava espichando o olho pra Clotilde? Mas todos tinham seus álibis, que se encaixavam perfeitamente.
            Quem matou a enfermeira? Essa pergunta estava quase enlouquecendo o Delegado Walace, que resolveu mais uma vez voltar ao local do crime.
__Com licença Dr. Estevão? Preciso de uma palavrinha sua.
__Pois não Delegado, sempre as suas ordens. Por sinal, já tem alguma pista sobre o assassinato da nossa enfermeira?
__Ainda não Dr., mas continuo buscando. É por isso que estou aqui. Diga-me Dr.,  o Sr. trabalha pela manhã e pela tarde aqui na Santa Casa, não é?  
__Sim. Preciso sempre estar em dia com meus prontuários e seguir a evolução dos pacientes internados em minha enfermaria. Além do mais, também faço dissecção de cadáveres no anfiteatro, para as aulas práticas de anatomia.
__Quando o Sr. fica no anfiteatro, entra pela noite a dentro cortando esses cadáveres?
__As vezes, sim.
__Especificamente nesse dia do assassinato da enfermeira o Sr. ficou até tarde? Lembra-se até que horas?
__Acho que até as 18 ou 18:30 h. Ora, ora Delegado! Não venha me dizer que me tem também na lista de suspeitos?
__Tenho sim Dr. Estevão. E acho bom o Dr. acertar o seu relógio e sua memória,  pois sua esposa em seu depoimento confessou que nessa noite o Sr. precisou ficar até mais que 2:00 da manhã na dissecção dos cadáveres da anatomia. Preciso informar-lhe também que o IML encontrou pedaços de lâminas de bisturi nos seios mutilados da enfermeira. E que essas lâminas são idênticas as usadas na dissecção dos cadáveres da anatomia. Agora, o Dr. precisa me acompanhar!...


PVH-RO.,  10/06/15

sexta-feira, 8 de maio de 2015

O DIA DAS MÃES

O DIA DAS MÃES

Samuel Castiel Jr.


















       Mesmo nas sociedades mais antigas, já encontramos o ano marcado por datas festivas e comemorativas. Assim é que o povo hebraico, por exemplo, um dos mais antigos, tinha e ainda tem inúmeras datas do calendário marcado por datas que comemoram alegrias e também tristezas vivenciadas pelo povo hebreu. Encontramos nesse extenso calendário festas e comemorações durante todo o ano. Assim é que temos:1 Rosh Hashanah — O Ano Novo Judaico 2 Aseret Yemei Teshuva — Dez Dias de Arrependimento – 3 Yom Kippur – Dia do Perdão 4 Sucot  5 Shemini Atzeret e Simchat Torá 6 Chanucá — Festival das Luzes 7 Dez de Tevet 8 Tu Bishvat - Novo Ano das Árvores 9 Purim — Festival das Sortes 10 Novo Ano dos Reis 11 Pessach — Páscoa 12 Sefirah — Contagem do Omer 13 Lag Ba'Omer   14.1 Yom HaShoá — Dia da Memória do Holocausto 14.2 Yom Hazikaron — Dia da Memória dos Soldados 14.3 Yom HaAtzmaut — Dia da Independência de Israel 14.4 Yom Yerushalaim — Dia de Jerusalém15 Shavuot — Festa das Semanas — Yom HaBikurim 16 Dezessete de Tamuz 17 As Três Semanas e os Nove Dias 18 Tisha BeAv — Nove de Av 19 Dízimo de Animais 20 Rosh Chodesh — o Novo Mês 21 Shabbat — O Sábado — שבת 22 Variações na observância. Essas comemorações são religiosas e bíblicas. Nos dias de hoje, numa sociedade consumista em que vivemos, o comercio em geral, vive também ávido de festas, datas e comemorações. É imperioso consumir! É imperioso vender! O marketing está em toda parte. Os shopping  Center se enfeitam e comemoram as marcas crescentes das vendas, ano após ano. E isso acaba virando cultural. Faz parte da vida moderna.

          Entretanto, no segundo domingo de maio, comemora-se o DIA DAS MÃES.  E de todas essas datas e comemorações, nenhuma outra é tão legítima como a homenagem aquela mulher que nos colocou no mundo, após nove meses de gestação, muitas vezes correndo risco de morte e passando por  sofrimentos de toda ordem. Após a concepção, entra em outra fase de dedicação exclusiva e companheirismo daquele ser que trouxe ao mundo. A amamentação representa o símbolo mais significativo e emblemático do elo que une mãe e filho. Vem o período escolar, o acompanhamento daquele ser que começa a dar os primeiros passos e que também passa a exigir outros cuidados. A adolescência chega trazendo preocupações, vigilância e cuidados outros. Os perigos espreitam na educação e valores daquele ser. Mas aquela mulher está ali para guiar e orientar seu filho para o melhor. E somente ela pode fazer isso. Somente ela tem o amor suficiente para essa função. Esqueçamo-nos hoje do apelo consumista do mercado e brindemos pois, neste DIA DAS MÃES, a mulher que nos  deu a vida e que nos entregou preparados para a sociedade,  para o País e para o mundo em que vivemos. VIVA AS MÃES!

 


PVH-RO., 08/05/15

sábado, 25 de abril de 2015

O MERCADO CULTURAL

Samuel Castiel Jr







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                 Fincado no centro da antiga Porto Velho, o Mercado Cultural inicialmente denominado Mercado Municipal, representa um dos símbolos da nossa Capital. Criado em 1913, pelo Superintendente Major Guapindaia, passou por reformas e adaptações na administração do Prefeito Joaquim Augusto Tanajura, porém só foi consolidado e inugurado oficialmente pelo Prefeito Ruy Brasil  Cantanhede, em 1950.    Construído no estilo colonial, abrigou no passado  um comércio forte de estivas e mercadorias em geral, peixarias, açougues, frutas,  legumes e verduras, etc. Podia-se encontrar ali também material de construção, botecos, sorveterias, barbearias e também muitas guloseimas como açaí, tacacá, sandubas de “boi-ralado”, cachorros quentes, pasteis e mingaus dos mais variados sabores. Lá também podia-se encontrar  materiais para caça e pesca, peles de animais selvagens, armas e munições. Era um verdadeiro shopping Center de sua época. Esse comércio forte existente no Mercado Municipal, atraía comerciantes e empresários de secos e molhados dos mais variados  setores. Assim é que relembramos alguns dos comerciantes e estabelecimentos que ali se instalaram e marcaram sua época:  Casa Flora, de Luiz Lemos, Casa Pará, de Samuel Castiel, Casa Girão, de José Girão Machado,  Casa de Ferragens de Eneas Cavalcante, Casa das Noivas, de Albertino Lopes,  Loja A Motorista, de Wilson Queiroz, Casa das Peles, de José Oceano Alves, Bar do Zizi e tantos outros. Lembramos ainda do ambulante Dega e dos mingaus da Dona Chiquinha.
                Assim é que o Mercado Municipal foi atravessando o tempo e escrevendo sua história. Foi parcialmente destruído por um incêndio na década de 50.  Sofreu especulação imobiliária, perdendo parte de sua configuração  arquitetônica.  Chega finalmente ao século 21 recebendo uma restauração que o transformou em Mercado Cultural. Um espaço público aberto as artes culturais, principalmente a música. Uma programação semanal apresentada a cada dia da semana,  leva as suas dependências e entorno, centenas de pessoas que são adeptas da boa música.  Apresentadores como Heitor Fecundo apresentando as quintas feiras  a Seresta Cultural, Ernesto Melo, as sextas feiras, levando o Grupo A Fina Flor do Samba,  Beto Cezar com a Roda de Samba, aos sábados, etc. Enfim, o Mercado Cultural passou a ser o ponto de encontro de sambistas, pagodeiros, compositores, artistas, escritores e todos os boêmios notívagos da cidade.
                Para a surpresa de todos, paira  agora no ar, a ameaça de que essa programação cultural do Mercado vai acabar no próximo dia 30 deste mês. O motivo é que os contratos com essa programação não serão renovados. Ainda não se sabe quais os motivos  alegados pelo gestores municipais. Mas, seja lá quais forem, certamente vão frustrar um dos poucos momentos de lazer gratuito, numa cidade onde é cada vez mais raro e caro para que o contribuinte possa desfrutar desses momentos. Esperemos que prevaleça o bom senso desses gestores municipais de plantão.



PVH-RO., 26/04/15

quarta-feira, 15 de abril de 2015







A REVOADA DAS ANDORINHAS

Samuel Castiel Jr.












            Como nuvens negras  em deslocamento, formando grandes desenhos geométricos no céu, elas sempre chegam, ano após ano, anunciando o verão. Atiram-se como flechas buscando um pouso seguro e um abrigo para a noite que chega.  Árvores e  fios elétricos são seus principais alvos. Quando a tarde  vai caindo, fios elétricos e árvores ficam cheios desses pássaros negros, que fazem um barulho estridente com seus milhares de piados. As fezes das andorinhas são ácidas e sujam qualquer carro ou qualquer coisa que fique embaixo delas. Essas aves são da família Hirundinidae, com várias espécies e se destacam de outros pássaros pelas adaptações desenvolvidas para alimentação aérea, pois caçam insetos no ar e para isso desenvolveram corpo fusiforme e asas relativamente longas e pontiagudas. Medem cerca de 13 cm de comprimento,podendo viver até oito anos ou mais. As fêmeas fazem uma postura de 4 ou 5 ovos que são incubados por 25 dias nascendo os jovens pássaros que são alimentados por ambos progenitores. Embora embelezem o pôr do sol, servindo para aguçar a inspiração de poetas e encher  páginas da literatura, muitas  vezes são mortas ou rechaçadas pela sujeira e incômodo que causam. Essas andorinhas são pássaros migratórios e voam milhares de quilômetros, atravessam  oceanos, as cordilheiras dos Andes, vão até os Estados Unidos e voltam a cada ano, preanunciando a chegada do verão. Comem milhões de insetos, contribuindo para o equilíbrio do eco-sistema. Representam também mais um milagre e uma incógnita da natureza e do Criador. O que sabemos na realidade, e  ensinado por nossos avós, é que enquanto houver mais de uma andorinha, haverá verão!...



PVH-RO., 15/04/15







quarta-feira, 1 de abril de 2015


AS PRAÇAS COLORIDAS
Samuel Castiel Jr.













  Sempre as praças me inspiram a sensação de lazer, paz e relaxamento. Os mais atrativos brinquedos, fontes luminosas etc são usados para chamar a atenção das crianças e também dos  adultos. No centro da antiga Porto Velho, lembro-me de todas elas, pois foi nesses espaços que corri de peito aberto, joguei peteca, tomei sorvete e comi pipoca; foi nessas praças que vadiei, escorreguei nos escorregadores, namorei e vi a banda passar. Quantas vezes a noite ficava na praça  Aluizio Ferreira com meu violão, esperando a luz apagar para fazer seresta na casa das meninas do Caiari. O blackout era programado: começava meia noite e terminava as 5:00h. Assim que cortavam a energia, saía com outros amigos para cantar e tocar na porta das minas. Quando era noite de lua cheia a seresta ficava ainda mais romântica. Na praça Mal.Rondon, a paquera seguia rodando nas calçadas, antes do  Cine Resky iniciar sua 1a. sessão de cinema com um forte e imponente sinal sonoro. Muitas vezes a Banda de Música da Guarda Territorial tocava no coreto da praça.
       Essas praças coloridas com matizes de lembranças foram ponto de encontro de muitos casais, que tiveram seus primeiros beijos testemunhados por elas. São o testemunho remanescente de uma época lúdica, dourada, onde não havia lugar para a violência. Acho que todo mundo queria mesmo era ver a banda passar para tocar nos coretos, ou ir assistir aos filmes de Tarzan, as chanchadas brasileiras com Oscarito e Grande Otelo, Costinha e Zé Trindade. Os filmes de faroeste também faziam grande sucesso, com os mocinhos como John  Wyne, Kirk Douglas, Dean Martin, Your Briner, etc. A troca de gibis era também uma atração a mais para nós adolescentes. Com o cabelo penteado, armado com glostora, lá estávamos nós aos domingos trocando aquelas revistas com os colegas.
--Você já leu essa? É a ultima do Jesse James!
--Não. Mostra aí!
--Troco por 2 do Mandraque.
    E assim prosseguia o troca-troca das revistinhas.
     São reminiscências de uma época dourada, onde as praças quase sempre contribuíam para o bem-estar das pessoas que nela iam buscar o relaxamento e o prazer. Hoje muitas delas estão abandonadas, servindo apenas para viciados e assaltantes espreitarem suas vítimas. Longe vão aqueles anos dourados das praças coloridas...




PVH-RO,30/03/15

quarta-feira, 4 de março de 2015

A LISTA DE SCHINDLER E A LISTA DE JANOT

Samuel Castiel  Jr.





















           


      Há um paradoxo histórico entre a lista de Oscar Schlinder e a do Procurador Geral da República Rodrigo Janot. Enquanto o empresário alemão salvou dos campos de concentração e consequentemente da morte mais de mil judeus durante o holocausto, empregando-os em sua fábrica, a lista de Janot contem mais de setenta nomes que deverão ser julgados e processados, dentre os quais parlamentares de diferentes siglas partidárias da base governista e que, pelo contrário, poderão até ficar sem os seus respectivos empregos. Enquanto Schlinder empregava os judeus para livrá-los de Hitler, Janot os leva para a guilhotina. Entregue ontem ao STF, a lista de Janot causou  mal estar e desconforto no Concresso. Correram rumores na mídia que os chefes das duas casas, ou seja Renan Calheiros e Eduardo Cunha, estavam na lista de Janot. Imediatamente o Presidente do Senado e da Câmara se apressaram em desmentir que teriam sido avisados da inclusão de seus nomes na maldita lista de Janot. No final da tarde um grupo de ativistas se aglomerou nos portões de Janot, pedindo justiça e moralidade para soerguer o País do caos da corrupção que se encontra. Apesar da promessa do Procurador de que os culpados serão processados até o fim e punidos  com todo o rigor da lei, ficou muito controverso quando alguns ministros do STF já se manifestaram contra a quebra do sigilo processual, impedindo assim que a sociedade tome conhecimento dos nomes de parlamentares envolvidos no esquema do petrolão. A julgar pelas decisões  da suprema corte, tudo se pode esperar, inclusive nada! Que saudades do ministro Joaquim Barbosa!
            Mas, voltando a lista de Schindler e a de Janot, ambas tem um ponto de convergência: enquanto a primeira abriga e salva judeus do holocausto, a segunda abriga e pode salvar o sonho do povo brasileiro, depurando o Congresso  de abutres que são eleitos apenas  para trabalhar em benefício próprio, insuflando cada vez mais as assas da corrupção. Coitada da Petrobrás!... 

PVH-RO, 04/03/15 

terça-feira, 3 de março de 2015

A NINFO


Samuel Castiel Jr.


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    Tinha uma silhueta sensual, bunda  arrebitada e lábios grossos, inspirados em Angelina Jolie. Também suas pernas eram grossas com as coxas roliças da Claudia Raia. Mas quando teve seus primeiros namorados, sentiu que algo estranho a arrebatava de forma involuntária e compulsiva.  Quando seu primeiro namorado a levou para um cinema, achou uma coisa muito sem graça. Mas quando no  escuro ele beijou sua boca, sentiu um arrepio correr pela sua espinha. Quando ele acariciou seus seios, quase desmaiou. 
       Ainda era uma ninfeta quando um de seus namorados se apaixonou a ponto de noivar e casar. No início ele adorava fazer sexo com ela, mas começou a perceber que ela era insaciável. De manhã, a tarde e a noite queria que ele estivesse em cima dela ou ela estivesse em cima dele. Foi cansando, definhando, adoeceu e morreu sem um diagnóstico convicente. A viúva não ficou muito tempo sem ninguém. Alfredão era um mulato sarado e foi ele que se aproximou da Jusmara. Foram logo direto ao assunto, ou melhor, direto pra cama. O mulato Alfredão ficou entusiasmado com o furor sexual da viúva. Nunca vira antes uma viuvinha tão fogosa. A mulher era insaciável! No início conseguia acompanhá-lá, mas com o tempo foi esmorecendo. Nos finais de semana, Ju queria sexo de manhã, a tarde e a noite! Alfredão começou a voltar mais tarde pra casa. Saia do Banco onde trabalhava e ficava no boteco, jogando sinuca com os amigos. Mas, mesmo chegado tarde em casa, lá estava a Ju toda arrumada com roupas íntimas e insinuantes, debaixo dos lençóis. Aí...a Ju pegava o Alfredão. De manhã cedo, ela acordava e já pulava em cima dele. Tinha que fazer alguma coisa! Já tinha ouvido falar em "furor uterino". Eram mulheres sexualmente insaciáveis, também conhecidas como ninfomaníacas. As vezes, mesmo depois de uma noite de sexo, Alfredão ao voltar pra casa a encontrava assistindo filmes pornôs. Realmente, ele não sabia mais o que fazer. Arquitetou um plano de separação , mas não deu tempo. Adoeceu, foi definhando, perdendo as forças e morreu. O Sushimuro era um japa lutador de artes marciais e foi o terceiro marido da Ju. Apesar de ter um bom físico, era forte, musculoso e "bombado". Mas a estória se repetiu, ou seja, o fogo da Ju aos poucos foi apagando o japa que também definhou, enfraqueceu e Ju o enterrou literalmente.
      Para os amigos e amigas, Ju passou a ser chamada de enterra-marido. Passou também a ter dificuldade para conseguir um novo companheiro. O quarto marido de Ju teve o mesmo fim, pois já não agüentando tanto sexo, ele se trancava no banheiro, num gesto de desespero. Também definhou e aos poucos morreu. Mesmo fogosa como era, quando os pretendentes sabiam da estória, sumiam simplesmente. Ju começou a ter dificuldades para novos relacionamentos duradouros. Saía com um ou com outro, mas ficava só por aí. Chegou mesmo a ter um relacionamento homo, quando entregou-se as volúpias do Sado-masoquismo. Marylu foi sua última paixão. Faziam excurções, cruzeiros, viajavam e estavam sempre juntas. Freqüentavam sex shoppings, onde compravam as últimas novidades do prazer sexual. Mas... a Ju era mesmo uma ninfomaníaca inveterada e aos poucos voltou a desejar homens. Sentia falta do cheiro, das mãos e da penetração masculinas. Certa noite, deu uma escapulida com Jorjão, um crioulo avantajado, cujo membro media cerca de 25 cm. Foi uma noite memorável que quase satisfez a Ju. Chegou até em pensar devaneios conquistando aquele negão para ir morar e viver com ela. Sonhou, sonhou e se aconchegou debaixo do seu edredom. Mas, pra sua surpresa, quando se virou para o seu parceiro, ele não estava mais lá! Foi ao banheiro mas ele também não estava lá. Ficou lívida e quase desmaiou quando leu no seu espelho, escrito com batom vermelho:  "Desculpe Ju, mas sou HIV positivo! Agora você é uma das nossas. A eternidade nos separa ou melhor, nos espera!" - do sempre seu Jorjão"
Antes cair ao chão desfalecida soluçando, Ju ainda pensou:
--Fui mais uma vítima  de  um "bareback"!




Nota do Autor:   “bareback ou barebaking" é uma palavra do inglês que se refere a prática de atos sexuais, sem o uso de preservativos, mais especificamente de sexo anal. Literalmente significa montar a cavalo, sem o uso de sela, ou seja, pele-a-pele. Alguns grupos de americanos e europeus estão aderindo a essa prática suicida, uma verdadeira roleta-russa do sexo. Eles saem pela noite, vão pra cama com vários parceiros ou parceiras sem usar preservativos. Tanto podem contrair como transmitir o vírus HIV e também outras doenças sexualmente transmissíveis. Realmente uma verdadeira roleta russa do sexo.


PVH-RO, 25/2/15