quarta-feira, 19 de dezembro de 2012


O BEIJO NO SINAL                               Samuel Castiel Jr.

 

                                                                                  

 

Aquele beijo aconteceu e me enlevou,

Foi o primeiro, eu não resisti!...

Teus lábios rosados, sensuais, carnudos...

Estavamos no carro e o sinal fechou!

 

Foi tão rápido mas pareceu eterno!...

Tua respiração tão próxima, ofegante,

Teu rosto pálido, a lua...

Tudo parecia miragem e ficaram em mim marcados

Feito tatuagem...

 

Estavamos no carro e o sinal fechou!

Não sei ao certo mas acho que a vida inteira

Levarei comigo esse momento lindo,

Pois foi ali que uma flecha certeira atingiu meu peito

Que desmoronou!...

 

E logo eu que estava indo morto,

Ao leu sem ter destino ou porto

Quando o sinal fechou!

 

E foi assim então, por causa desse teu beijo querida

Que quando o sinal abriu

Mudei meu rumo e ganhei a vida!

A  SERPENTE

                                         Samuel Castiel Jr.

 

Serpiginosa ela vai

Arrastando-se pelo chão,

A língua bífida vibrando,

Olhar fixo em fenda!

Toda a mata fica alerta,

É hora do perigo mortal!...

Até a águia tão esperta

Alça vôo e sai dali

Sinalizando assim para os bichos

Que paira a morte no ar

Num bote sempre fatal!

É sempre assim o ataque final

Da serpente que busca a comida

Na lei bruta da selva,

Lutando por sua própria vida!...

                                                          PVH-RO,19/12/12

terça-feira, 18 de dezembro de 2012


D I V A G A Ç Ã O

                                          Samuel Castiel Jr.

A  tarde,

             morrendo

             silenciosa e triste

            nos eflúvios crepusculares,

           esboçou diante dos meus olhos

          matizes de melancolia!...

Havia em tudo um aspecto vulgar,

inabalável

e extraordinariamente vago,

espraiado sobre as nuvens,

sobre o mundo


e sobre mim.

           Uma ansiedade incomum

           explodindo do amor,

          da solidão,

         do silêncio,

        de todas as negações inexplicáveis,

       do nada.

E estigmatizadas em meu ser

as últimas horas do dia

num gesto vão, perdido

e inacabado...

        O horizonte empastou-se de sangue

        num aceno inatingível de indiferença,

        de magestade e inexistência...

Um pensamento distante,

tombando na vida,

nos encontros e desencontros,

nos homens e em Deus,

no amor e na eternidade!

          Um último raio de sol refletiu-se no céu

         e dissolveu-se na escuridão,

        melancolicamente...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

raios x


NOSSO GRANDE AMOR

                                                                 Samuel Castiel Jr.

A pétala da rosa que se abre,

O aroma que exala da flor,

Nada existe que se compare

Ao nosso grande e tão louco amor!...

 

Sinto o teu cheiro no ar

Quando o dia vai chegando ao fim

E vou parando de trabalhar

Sabendo que volto e também voltas pra mim!...

 

Não basta o tempo passar,

É inútil alguém tentar

Afastar-me de ti querida

 

Pois tu estás na minha vida

Como o viajante e a viagem,

Como a pele e a tatuagem!...

 

PVH-RO, 14/12/12

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012


AS  CIGARRAS  DO  VERÃO

                                                             Samuel Castiel Jr.

Sol inclemente,

42 graus, banho meu rosto!...

Nos galhos secos das arvores

que apontam nuas para o céu,

vibram soturnas as cigarras,

as cigarras do verão,

nos seus cantos incessantes,

como se fossem guitarras

ou órgãos elétricos

na festa do sol!...

E nessa orgia funesta do inseto,

o som que vibra em meus ouvidos

penetra no meu peito

como um punhal ,

ardentemente...

A obra inacabada, a vontade de fazer,

a intangível liberdade

inutilmente...

Penso em tudo e em nada,

no vulto da mulher amada...

Uma gota de suor

( ou de lágrima)

cai do meu rosto molhado:

angustia, solidão, eternidade...

Tudo se mescla de sangue

e sinto o gosto amargo de sangue

na boca, o gosto do conflito

(ou da aflição)!...

Enquanto isso,

indiferentemente ao meu tumulto interior

(ou de paixão)

gritam lá fora, como eu, em minha solidão,

a triste canção desta ausência tua,

camufladas, nos galhos escondidas

a espreitar o Nada,

agora já em noite escura e sem lua

as cigarras do verão!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012


O  POETA

                                                 Samuel Castiel Jr.

 

Na dor vazia que o poeta sente

Quando busca a louca inspiração

Vai um rastro de lava quente

A queimar-lhe a alma e o coração!...

 

Na solitária dor que sente o poeta

Na busca insana da felicidade

Quando nada mais o completa

Invoca ele a tenra mocidade!...

 

Tira um pedaço do céu e vai

Olhando o seu infinito universo!

E do apogeu da solidão ele sai

 

Quando elabora no seu verso

O poema que dele se esvai

No exercício mental perverso!...

 

PVH-RO, 21/11/12

MISTERIOSO  MAR

                                                                Samuel Castiel Jr.

 

 

Na infinita linha do horizonte,

Na branca espuma desse teu viver,

És calmaria e a paz que esconde

A tormenta viva que nos faz temer!

 

Amo-te sempre a despertar

A paz, o medo e o amor

Na tua vaga azul  a sintetizar

O espectral do belo e do pavor!...

 

És a um só tempo inquietude e paz

Na reflexão do cosmo e da vida!...

Na furia que o deus Netuno faz

 

No universo insondável da lida

No vai-vem que tuas ondas traz

A paz, o tsunami e a ira.

 

Punta Del Leste, Uruguay, 27/11/12