segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013


D R O G A S

                                                                             Samuel Castiel Jr.


Tudo começou tão simples

Numa noite de balada

Quando a turma toda animada

Resolveu fumar aquele “tarugo”

De maconha que alguém conseguiu

Atraz de um velho galpão

Só pra sentir o efeito

Que tanto era falado!

Foi tudo muito rápido,

A sensação que se produziu

De pura leveza foi um “barato”,

Deixando todos a flutuar!...

Depois o efeito já não era o mesmo

Como foi da primeira vez!...

Vieram então as anfetaminas,

A cocaína, a mela e o crack

Chegando depois a heroína

E até mesmo o ácido!!

E nenhuma delas mais conseguia

Saciar o apetite foraz

Do vicio da droga maldita!

Pra conseguir o produto era capaz

De vender suas vestes rotas

E outros pertences mais!...

De roubar, mentir e matar

Para seu cérebro alimentar

A falsa ilusão do bem-estar.

Aquela sensação de flutuar

Sôbre todos pobres mortais...

De ser um Super-Homem

Acima do Bem e do Mal!...

Nada mais o pôde salvar

Pois morto a muito já estava

No inferno do pó e do cheiro,

Faltando apenas a compaixão

Do criador que o viesse buscar!...

 
                                                                                                 PVH-RO, 18/02/13

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013


A SÓS NO UNIVERSO?

 

                                              Samuel Castiel Jr

.

 

No silente universo celestial

Ponteado de reluzentes estrelas,

Fico estático e mudo a contemplar

Em noites claras, de raro esplendor

Iluminadas pela tosca luz

De um prateado luar!...

Bilhões de estrelas pequeninas

Parecendo que piscam pra mim...

As cintilantes galáxias empoeiradas

Da Via Lactea, Andrômeda e Tucano!...

Mais distantes ainda as Nuvens de Magalhães

E a Nebulosa de Tarântula...

Cintilando também silentes,

Milhares de anos-luz distantes

As enigmáticas constelações

Do Cruzeiro do Sul, Telescópio, Orion,

Alguns planetas também reluzem

Como Vênus, Marte e Saturno,

Júpiter ou mesmo o escaldante Mercúrio!...

Uma estrela candente que cai

Rasgando o céu num rastro de fogo

Incandedescente e fugaz!...

E a perplexidade magestosa

Que este cenário me traz

Faz-me peremptoriamente rejeitar

O princípio egoísta, simplório e perverso

De que estamos sós no universo!...

 

                                                                      PVH-RO, 15/02/13

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013


AMOR DE CARNAVAL

                                        Samuel Castiel Jr.

 


Quarta-feira de cinzas!

A folia acabou mas ainda resta

A lembrança viva da festa!

Minha fantasia dependurada

Com o gorro verde do coringa!

Os confetes coloridos são

Pedacinhos de saudades no chão

E as serpentinas completam

A moldura acabada e final

Do vazio que me deixou

Aquela linda colombina escultural

Que se foi ao raiar do sol!...

Ficando apenas  a cruel saudade

Daquela foliã querida

Que sambando se foi

Ao raiar indiferente  do dia

E se perdeu na multidão!...

Sem perguntar sequer se eu queria

Ficar ou não com ela pra sempre ...

Sem sequer saber o que eu por ela sentia!...

Sem saber que isso me fez muito mal!

Tomara que a gente outra vez

Volte a se encontrar um dia

Em outro samba, em outra folia!

Até mesmo porque ela foi

Mais um amor que perdi,

Mais um amor de carnaval!...

 

 

                                                                                            PVH-RO, 12/01/13

sábado, 9 de fevereiro de 2013


CARNAVAL

                    Samuel Castiel Jr

 

Viva o Zé Pereira,

Viva o Carnaval !...

Na folia de Momo o clarim anuncia:

Chegaram as marchinhas e frevos,

Axés e maracatus,

Os sambas de enredo e as escolas,

Os blocos que saem de todos os bairros

E vão formando um só cordão,

Onde cada pessoa é

Um potencial folião!...

Milhares de Arlequins e Colombinas

Vão amargar o velho carma

Do triste Pierrô que perdeu

Sua amada e companheira

Na folia da multidão!...

Serpentinas e confetes coloridos

Chovem nas ruas e vão marcando

A alegria que brota em cada passo

Em cada coração!...

As fantasias brilham com lantejoulas,

Missangas e purpurinas!

O frevo mostra com a sombrinha

A arte da dança pernambucana!

Em cada rosto uma alegria!...

Não há lugar pra a tristeza!

E até mesmo os Pierrôs

Vão ter que chorar por traz das máscaras!...

Pois não existe hoje nenhum bloco ou lugar

Onde suas lágrimas possam rolar!...

 

                                                            PVH-RO, 09/02/13

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013


O  VAMPIRO DE MONTE SANTO                                        

                                               Samuel Castiel Jr.

 

Noite escabrosa, escura e macabra

Ninguem nas ruas desertas!...

Até porque ali, bem ali na entrada,

Fica plantado o cemitério

Dando um acabamento sinistro ao bairro

Todo entrecruzado de becos e vielas!...

O pássaro rasga-mortalha passou

Soltando um grito assustador

Que se perdeu na escuridão!...

Fazendo arrepiar

Todo aquele que o escutou!...

Nessa sinfonia macabra

Veio juntar-se um grunhido diferente

Que parecia até humano

Mas não se podia diferenciar

Se era de fome ou de frio,

E vinha lá daquela muralha

Que cercava o cemitério!...

O soldado Antão se levantou

Da rede que o embalava!

Era macho o sufuciente para ir fundo

Ver se era gente viva ou d’outro mundo!

Passou a mão no terçado e foi

Com o foco da lanterna ligada

Procurar a alma penada

Que clamava por vela, missa ou reza!...

Mas pra surpresa não era

Nenhuma alma e sim

Um vampiro todo molhado,

E pelo jeito tava resfriado,

Pois tossia muito e seu peito chiava,

Seu corpo todo  tremia de frio!

--Vampiro do inferno, bicho desconjurado

Que queres aqui neste lugar

Onde todos já estão sepultados?

Onde não há mais sangue pra te alimentar?

Se vieste só pra assustar

Vou te despedaçar

Com meu facão amolado!

--Perdão valente soldado --

Falou o vampiro baixinho, quase inaudível!

--Tô fugindo dos cães fardados

Que quase me pegaram

Lá pras bandas da zona leste!...

--Por favor não me entregues

Pois também sou filho da peste,

Não morro mas fico penando

E já estou muito fraco,

Há muito que não consigo

Nenhum tipo de chupada quente,

Nenhum tipo de sangue vivo!...

As coisas já não são como antigamente,

Ninguem mais dá mole


Pra uma mordida ou chupada!

--Bicho descojurado e nojento,

Até que eu fiquei com pena de ti

Amargando essa fome e o frio,

Pergunto-te em que posso ajudar,

Excluindo, é claro, a minha jugular!...

--Valente soldado, se puderes salvar

Um pobre vampiro de azar,

Já fico feliz com  ocê

Se conseguir no teu lixo um OB!...

Pois do pó branco não posso cheirar!...


Não tenho grana para comprar!
 
--Vou te cortar todinho bicho desonjurado,

Como sabes que neste bairro existe

Esse tal produto pra negociar?

--É que eu ando sempre com o Zelão

Meu cachorro de estimação

Ex-farejador  PM,

Até que numa noite de fome

Furei também  sua jugular!...

E ele já farejou o pó e me avisou

Que aqui é o que mais  existe

Em quantas  casas que se aviste!...

O facão cortou quase o vampiro todo

Que espavorido fugiu!

Mas o soldado Antão ainda ouviu

O latido de um cão felpudo

De dentes longos, pontudos

Que de longe o seguiu!...

                                                                                                           PVH-RO, 05/01/13

Nota do Autor:  O bairro e os personagens são obras de ficcção. Qualquer emellhança terá
                              sido mera coincidência.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013


CINELÂNDIA

                                    Samuel Castiel Jr.

 

 

Burburinho e o intenso vai-vem nas ruas,

Pessoas que passam apressadas

De cabeças cheias, vazias ou nuas

E em rumos diversos vão...

Enquanto eu sentado no Amarelinho fico

No ócio vadio e me deleitando

Com saborosa poção de peixe frito!...

A tarde morrendo vai

Em seus eflúvios crepusculares!...

O Theatro Municipal e outros

Velhos prédios do Rio antigo,

Dos lampiões e malandros venais,

Da saudosa boemia que ficou

A muito tempo pra traz!...

És hoje Cinelândia um bairro a mais

Do cenário antigo do Rio!

Porém era aqui neste mesmo bar

Que o João Nogueira vinha acabar

Sua noitada de samba de forma irreverente!

Aqui hoje, logo ali passa o metrô,

Deixando o rastro cinza do progresso

E uma fina réstia de melancolia,

Dos velhos tempos da boemia,

Que sei não voltarão jamais!...

Chamo o garçon e peço

Outro chopp que pra afastar de vez

Pra bem longe e definitivamente

O saudosismo perverso!...

                                                                                                                            Rio-RJ, 29/01/13

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013


O INCRÍVEL MISTER “M”

                                                       Samuel Castiel Jr.

Não havia nniguem que se comparasse

Nenhum mágico, ilusionista ou mandraque

Que pudesse se igualar

As habilidades que fazia

Em cada espetáculo com maestria

Naquele Gram Circus que ali chegara!

Havia o Globo da Morte,

Bailarinas e trapezistas!

Muitos palhaços e bichos:

O leão, o tigre e o urso,

O macaquinho mico e o chipanzé

Todos vindos da Africa!

Porém o Mr. “M” era

O espetáculo que fascinava

Pelo número inusitado

Que toda noite apresentava!

Naquele último show porém,

Fechando a temporada,

Anunciou que faria o número

Mais audaz de sua carreira

Que ficaria pra sempre marcado

Na lembrança e na memória de todos!...

Começando o número chamou

Da plateia uma voluntária!

Surge uma loura esbelta

Mas tinha que ser corajosa!

Presa em uma roda que gira

Enquanto o Mr. “M” atira

Facas pontudas e afiadas!...

No final teria desenhado com as facas

O corpo esbelto da loura!

A roda gira com a moça presa,

As facas vão sendo atiradas

E passam raspando todas

As estruturas vitais do corpo

Enquanto a galera grita

E suspira de forte emoção!...

Mas tudo aconteceu de repente,

Uma das facas cortou

A jugular da pobre moça!

O sangue esguinchou longe

E um Ah! veio de todos!...

O Mr. “M” pedia calma,

Aquilo poderia acontecer!...

Chama as pressas o socorro

Que sai de sirene ligada

E com os pneus cantando,

Levando a moça sangrando!...

Ele pede que ninguém saia,

As cortinas por traz se fechando!...

Na sequencia voltam a se abrir

E pra surpresa de todos ali,

Radiante reaparece a loura a sorrir,

De mãos dadas com Mister “M”,

Que elegante se curva e gira

No palco agradecendo a todos,

Enquanto a plateia delira!...

                                                                                                                              Brasiiia-DF, 19/01/13