sábado, 9 de fevereiro de 2013


CARNAVAL

                    Samuel Castiel Jr

 

Viva o Zé Pereira,

Viva o Carnaval !...

Na folia de Momo o clarim anuncia:

Chegaram as marchinhas e frevos,

Axés e maracatus,

Os sambas de enredo e as escolas,

Os blocos que saem de todos os bairros

E vão formando um só cordão,

Onde cada pessoa é

Um potencial folião!...

Milhares de Arlequins e Colombinas

Vão amargar o velho carma

Do triste Pierrô que perdeu

Sua amada e companheira

Na folia da multidão!...

Serpentinas e confetes coloridos

Chovem nas ruas e vão marcando

A alegria que brota em cada passo

Em cada coração!...

As fantasias brilham com lantejoulas,

Missangas e purpurinas!

O frevo mostra com a sombrinha

A arte da dança pernambucana!

Em cada rosto uma alegria!...

Não há lugar pra a tristeza!

E até mesmo os Pierrôs

Vão ter que chorar por traz das máscaras!...

Pois não existe hoje nenhum bloco ou lugar

Onde suas lágrimas possam rolar!...

 

                                                            PVH-RO, 09/02/13

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013


O  VAMPIRO DE MONTE SANTO                                        

                                               Samuel Castiel Jr.

 

Noite escabrosa, escura e macabra

Ninguem nas ruas desertas!...

Até porque ali, bem ali na entrada,

Fica plantado o cemitério

Dando um acabamento sinistro ao bairro

Todo entrecruzado de becos e vielas!...

O pássaro rasga-mortalha passou

Soltando um grito assustador

Que se perdeu na escuridão!...

Fazendo arrepiar

Todo aquele que o escutou!...

Nessa sinfonia macabra

Veio juntar-se um grunhido diferente

Que parecia até humano

Mas não se podia diferenciar

Se era de fome ou de frio,

E vinha lá daquela muralha

Que cercava o cemitério!...

O soldado Antão se levantou

Da rede que o embalava!

Era macho o sufuciente para ir fundo

Ver se era gente viva ou d’outro mundo!

Passou a mão no terçado e foi

Com o foco da lanterna ligada

Procurar a alma penada

Que clamava por vela, missa ou reza!...

Mas pra surpresa não era

Nenhuma alma e sim

Um vampiro todo molhado,

E pelo jeito tava resfriado,

Pois tossia muito e seu peito chiava,

Seu corpo todo  tremia de frio!

--Vampiro do inferno, bicho desconjurado

Que queres aqui neste lugar

Onde todos já estão sepultados?

Onde não há mais sangue pra te alimentar?

Se vieste só pra assustar

Vou te despedaçar

Com meu facão amolado!

--Perdão valente soldado --

Falou o vampiro baixinho, quase inaudível!

--Tô fugindo dos cães fardados

Que quase me pegaram

Lá pras bandas da zona leste!...

--Por favor não me entregues

Pois também sou filho da peste,

Não morro mas fico penando

E já estou muito fraco,

Há muito que não consigo

Nenhum tipo de chupada quente,

Nenhum tipo de sangue vivo!...

As coisas já não são como antigamente,

Ninguem mais dá mole


Pra uma mordida ou chupada!

--Bicho descojurado e nojento,

Até que eu fiquei com pena de ti

Amargando essa fome e o frio,

Pergunto-te em que posso ajudar,

Excluindo, é claro, a minha jugular!...

--Valente soldado, se puderes salvar

Um pobre vampiro de azar,

Já fico feliz com  ocê

Se conseguir no teu lixo um OB!...

Pois do pó branco não posso cheirar!...


Não tenho grana para comprar!
 
--Vou te cortar todinho bicho desonjurado,

Como sabes que neste bairro existe

Esse tal produto pra negociar?

--É que eu ando sempre com o Zelão

Meu cachorro de estimação

Ex-farejador  PM,

Até que numa noite de fome

Furei também  sua jugular!...

E ele já farejou o pó e me avisou

Que aqui é o que mais  existe

Em quantas  casas que se aviste!...

O facão cortou quase o vampiro todo

Que espavorido fugiu!

Mas o soldado Antão ainda ouviu

O latido de um cão felpudo

De dentes longos, pontudos

Que de longe o seguiu!...

                                                                                                           PVH-RO, 05/01/13

Nota do Autor:  O bairro e os personagens são obras de ficcção. Qualquer emellhança terá
                              sido mera coincidência.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013


CINELÂNDIA

                                    Samuel Castiel Jr.

 

 

Burburinho e o intenso vai-vem nas ruas,

Pessoas que passam apressadas

De cabeças cheias, vazias ou nuas

E em rumos diversos vão...

Enquanto eu sentado no Amarelinho fico

No ócio vadio e me deleitando

Com saborosa poção de peixe frito!...

A tarde morrendo vai

Em seus eflúvios crepusculares!...

O Theatro Municipal e outros

Velhos prédios do Rio antigo,

Dos lampiões e malandros venais,

Da saudosa boemia que ficou

A muito tempo pra traz!...

És hoje Cinelândia um bairro a mais

Do cenário antigo do Rio!

Porém era aqui neste mesmo bar

Que o João Nogueira vinha acabar

Sua noitada de samba de forma irreverente!

Aqui hoje, logo ali passa o metrô,

Deixando o rastro cinza do progresso

E uma fina réstia de melancolia,

Dos velhos tempos da boemia,

Que sei não voltarão jamais!...

Chamo o garçon e peço

Outro chopp que pra afastar de vez

Pra bem longe e definitivamente

O saudosismo perverso!...

                                                                                                                            Rio-RJ, 29/01/13

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013


O INCRÍVEL MISTER “M”

                                                       Samuel Castiel Jr.

Não havia nniguem que se comparasse

Nenhum mágico, ilusionista ou mandraque

Que pudesse se igualar

As habilidades que fazia

Em cada espetáculo com maestria

Naquele Gram Circus que ali chegara!

Havia o Globo da Morte,

Bailarinas e trapezistas!

Muitos palhaços e bichos:

O leão, o tigre e o urso,

O macaquinho mico e o chipanzé

Todos vindos da Africa!

Porém o Mr. “M” era

O espetáculo que fascinava

Pelo número inusitado

Que toda noite apresentava!

Naquele último show porém,

Fechando a temporada,

Anunciou que faria o número

Mais audaz de sua carreira

Que ficaria pra sempre marcado

Na lembrança e na memória de todos!...

Começando o número chamou

Da plateia uma voluntária!

Surge uma loura esbelta

Mas tinha que ser corajosa!

Presa em uma roda que gira

Enquanto o Mr. “M” atira

Facas pontudas e afiadas!...

No final teria desenhado com as facas

O corpo esbelto da loura!

A roda gira com a moça presa,

As facas vão sendo atiradas

E passam raspando todas

As estruturas vitais do corpo

Enquanto a galera grita

E suspira de forte emoção!...

Mas tudo aconteceu de repente,

Uma das facas cortou

A jugular da pobre moça!

O sangue esguinchou longe

E um Ah! veio de todos!...

O Mr. “M” pedia calma,

Aquilo poderia acontecer!...

Chama as pressas o socorro

Que sai de sirene ligada

E com os pneus cantando,

Levando a moça sangrando!...

Ele pede que ninguém saia,

As cortinas por traz se fechando!...

Na sequencia voltam a se abrir

E pra surpresa de todos ali,

Radiante reaparece a loura a sorrir,

De mãos dadas com Mister “M”,

Que elegante se curva e gira

No palco agradecendo a todos,

Enquanto a plateia delira!...

                                                                                                                              Brasiiia-DF, 19/01/13

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013


PARTIDA  DE  FUTEBOL

                                         Samuel Castiel Jr.

O estádio lotado vibra
Repleto de bandeiras e cores!
Fogos pipocam no ar,
É o time entrando em campo!
De mãos dadas os atletas vem
Com  doces crianças carregadas!...
Agitados e afoitos torcedores                                                                                                                                                                                          
Gesticulam, gritam palavrões!...
Os árbitros já estão postados,
E no meio do gramado vão
Sorteando cada lado do campo,
Onde cada clube defende ou ataca!
Trila o apito, começa a partida,
Mais fogos pipocam no ar!
A bola cruza embalada,
Nos pés do atacante vai
Em ziguezague passando
Em cada drible arrancando
Aplausos da multidão!
Derrubado na área mas o o árbitro não quis
Não marcou e nem viu
O pênalti toda a galera pediu!...
Milhares de vozes se ouviu
Xingando em coro a mãe do juiz!...
Segue o jogo frenético,
Bola por cima, bola por baixo,
Ataque e defesa, defesa e ataque,
Tiro de meta, lateral, escanteio
Falta marcada, falta cobrada
Bola na trave mais outra vez!!!
A galera grita e se levanta
O goleiro como um gato defende,
Estica-se todo e pega
“Tirambaços” com direção certa!!!
Primeiro tempo encerrado.
Começa tudo de novo:
Ataque daqui, ataque de lá
Chega-se aos minutos finais
O aviso luminoso acende
Dando dois minutos a mais...
Faltando apenas trinta segundos
O goleiro faz outro “milagre”
Mas no rebote o atacante faz
A rede estufar finalmente
Para o delírio do torcedor tenaz!
O grito de Goool se faz
Ecoar no estádio e em toda cidade
O foguetório é geral!...
Sai o torcedor perdedor
Cabisbaixo mas comentando:
Seu time perdeu mas foi o melhor!...
                                                                                                                                                          PVH-RO, 16/01/13

terça-feira, 15 de janeiro de 2013


CARDUMES

                                 Samuel Castiel Jr.





Nas profundezas escuras do mar,
Na aparente calmaria azul
Travam-se sangrentas lutas mortais
Na hierarquia biológica natural
De predadores e monstros marinhos,
Desde a simples anêmona-do-mar
Até os que estão no topo
Da natural cadeia alimentar!
Espavoridos fogem em cardumes
Milhares de pequenas anchovas
Perseguidas, quase sempre engolidas
Por famintas baleias e tubarões,
Leões marinhos e barracudas!...
Unidos gigantes cardumes vão
Ziguezagueando num silencioso balé!
Enquanto estiver junto e unido
O cardume é único e vai criando
Formas espectrais diversas
Na tentativa de confundir e afastar
Seus perseguidores famintos!
Com as pessoas também é igual
Quando juntas temos a sensação
Da falsa ou real proteção!...
Quando isolados nos ronda o risco,
Espreita-nos a cada momento o perigo:
Ser engolido pela garganta profunda
Do super-ego, do inigualável ser
Do profano gigantismo,
Do sectario individualismo!

                                                                                                                  PVH-RO, 15/01/13

domingo, 13 de janeiro de 2013


UMA LOURA D’OUTRO MUNDO



                                                                        Samuel Castiel Jr.



Madrugada envolta no frio

Da noite que neblinava!

Ninguem na rua a não ser

A Hillux preta que me transportava

E aquela loura que aparecera

Saltitante, de insinuante prazer!

Com o polegar virado pra traz pedia

Uma carona pra algum lugar!

Sem medir idéias parei

Para a loura fantástica entrar!

Foi entrando e me explicando,

Seu nome era Jucimar,

Seu pai era um homem bem rico

Mas já nada podia lhe dar!...

Morava com ele naquela mansão,

Dali a três quarteirões!

Desceu apressada a loura

Ainda quis lhe falar mas não deixou,

Colou sua mão fria em minha boca,

Beijou-me na face e saiu

Sumindo por traz do portão!

Intrigado voltei n’noutro dia

Pois a moça bonita havia

Esquecido seu lindo echarpe no carro!...

Quase morri quando seu pai me disse

Que parasse dessa brincadeira

Pois aquela sua filha caçula,

Sua Jucimar meiga e querida,

Tinha a dois anos morrido

Tragicamente de bala perdida!

                                                                                                                      PVH-RO, 13/01/13